Síndrome do estresse tibial medial (MTTS), coloquialmente chamada de "canelite", é uma lesão comum na extremidade inferior do lado interno da tíbia (osso da canela). Afeta predominantemente os atletas envolvidos em atividades de alto impacto, como corrida e salto.
O que causa as dores nas canelas (MTSS)?
Ao lidar com lesões ósseas, é importante entender os diversos fatores que influenciam a ruptura da tíbia. Esses fatores, quando combinados com as condições certas, permitem que um corredor se adapte continuamente e forme novas camadas ósseas para suportar a carga de treinamento. Quando o delicado equilíbrio dos fatores que contribuem para essa situação se desequilibra, a tíbia (osso) começa a se quebrar progressivamente sob estresse, resultando em inflamação, inchaço e, por fim, em uma fratura por estresse.
Erros de carga de treinamento
Aumentos repentinos: Aumento da quilometragem ou da intensidade sem tempo adequado para adaptação.
Recuperação inadequada: O descanso insuficiente entre as corridas de recuperação dificulta o reparo dos tecidos e aumenta o risco de PFPS.
A corrida de recuperação precisa conviver harmoniosamente para permitir que o osso tenha tempo suficiente para se adaptar. O problema típico que os corredores enfrentam é o descanso inadequado entre as corridas subsequentes. Além de entender quanto de carga (tanto em ritmo quanto em distância percorrida) um corredor pode aumentar a cada semana. A realidade é que não existe um número perfeito quando se trata da porcentagem de aumento de carga. Alguns corredores são mais resistentes do que outros e, portanto, podem tolerar aumentos mais acentuados na carga de corrida, enquanto outros precisam ser conservadores em sua programação.
Estressores hormonais
Os fatores hormonais, especialmente aqueles relacionados ao ciclo menstrual, afetam significativamente o desenvolvimento do estresse tibial medial (canelite) em corredoras. Aqui estão os pontos principais:
Amenorreia e baixos níveis de estrogênio: O estrogênio é vital para manter a densidade óssea, promovendo a formação óssea e inibindo a reabsorção óssea. Um ciclo menstrual regular garante um suprimento constante de estrogênio, mantendo os ossos fortes. A perda ou redução do ciclo menstrual (amenorreia) leva a baixos níveis de estrogênio. Isso geralmente ocorre devido à baixa disponibilidade de energia, estresse físico excessivo ou perda de peso, comum em esportes intensos como a corrida.
Dieta & Abastecimento
Fatores dietéticos, especialmente a falta de combustível, podem afetar significativamente o desenvolvimento do estresse tibial medial (dores nas canelas) em corredores. Aqui estão os pontos principais:
Deficiência de energia: A falta de combustível resulta em uma disponibilidade inadequada de energia, o que significa que o corpo não recebe calorias suficientes para atender às demandas do treinamento e às funções fisiológicas básicas. Isso leva ao comprometimento do desempenho e da recuperação. A falta de energia prejudica a capacidade do corpo de reparar e reconstruir os tecidos. Essa recuperação tardia inicia uma cascata de eventos que resulta na incapacidade do seu corpo de formar novos ossos e manter ossos fortes. Nas corredoras, as deficiências prolongadas de energia podem levar à perda do ciclo menstrual. Como mencionado acima, isso pode ter um impacto significativo na produção de estrogênio e na remodelação óssea.
Biomecânica da corrida
O excesso de passada em corredores aumenta o risco de estresse tibial medial (dores nas canelas) ao amplificar as forças de impacto, reduzir a absorção de choque e criar forças de frenagem mais altas. Quando os corredores aterrissam com o pé muito à frente, isso leva a uma batida no calcanhar e a uma absorção de choque ineficiente, concentrando o estresse na tíbia. Esse esforço repetitivo interrompe o equilíbrio da distribuição de carga, aumentando o risco de lesão. A técnica de corrida adequada é essencial para minimizar esses riscos.
Sinais e sintomas de dores nas canelas
Dor na canela: O MTTS se manifesta como dor na canela induzida pelo exercício. O desconforto geralmente se localiza no terço médio e inferior da tíbia.
Sensibilidade: A palpação da parte interna inferior da canela revela sensibilidade.
Movimentos provocativos: movimentos explosivos (como pular ou saltar) exacerbam a dor, distinguindo o MTTS de outras condições. Em casos graves, a caminhada e a elevação do calcanhar podem ser sintomáticas.
Deficiências energéticas: tem havido alguma falta de ingestão alimentar que tenha causado cansaço, falta de concentração e falta ou ausência de desejo sexual (tanto em homens quanto em mulheres)?
Ciclo menstrual: Você notou alguma perda ou redução (no fluxo e/ou na frequência) do seu ciclo menstrual?
Técnicas de autodiagnóstico de dores nas canelas
Embora seja essencial consultar um profissional de saúde, você pode seguir algumas etapas de autodiagnóstico para ter uma ideia melhor da situação enquanto espera para ser atendido.
Localização da dor em torno da parte interna média e inferior da canela.
Dor ao realizar elevações do calcanhar. Aqui, a gente quer verificar não só se os sintomas se repetem, mas também se há alguma diferença significativa entre os membros.
Dor ao saltar com uma perna só e/ou falta de saltos de boa qualidade (frequência de saltos, altura e capacidade de absorver a força na aterrissagem).
É importante entender que o estresse tibial medial é uma lesão com alterações progressivas na parte externa (periósteo) e interna (medula óssea). Se não for tratado ou se for mal gerenciado, pode levar à fratura por estresse, como visto na imagem (Grau 4b). Também é importante notar que a dor não está relacionada ao dano e, por isso, usar a dor como único indicador pode ser enganoso.
Estratégias eficazes de autogerenciamento para dores nas canelas
1. Modificar a carga de treinamento
A modificação da carga de treinamento é benéfica no controle da síndrome do estresse tibial medial (MTSS), pois ajuda a evitar lesões por uso excessivo, permitindo um tempo de recuperação adequado e reduzindo o estresse repetitivo na tíbia. Ao ajustar a intensidade, a duração e a frequência do treinamento, você pode ajudar a aliviar os sintomas e evitar a progressão da lesão. Com base na classificação do Fredericson MTSS, há diferentes níveis de tempo sem correr, com a necessidade de reabilitação progressiva durante esse período e após o reinício da corrida.
A reabilitação é essencial em todos os graus do MTSS e sua implementação precisa ser individualizada com base no atleta e em seus sintomas.
Grau 1: O repouso pode variar de alguns dias a duas semanas, dependendo da gravidade dos sintomas. O retorno à corrida precisa ser implementado com cuidado, além de dar tempo para que a reabilitação tenha efeito.
Grau 2: período de repouso entre 2 e 6 semanas. Os corredores podem precisar de um programa de corrida progressiva e caminhada.
Grau 3: período de repouso de 6 a 10 semanas. É obrigatório participar de um programa de corrida/caminhada.
Nível 4: Período de descanso de 12 a 14 semanas. É obrigatório participar de um programa de corrida/caminhada.
2. Força e pliometria
Os exercícios de força, especialmente aqueles que envolvem carga axial e pliometria, são fundamentais no tratamento da síndrome do estresse tibial medial (MTSS). Exercícios de carga axial, como agachamentos e deadlifts, ajudam a fortalecer os ossos, os músculos e os tecidos conjuntivos dos membros inferiores, aplicando estresse direto e suportando peso. Isso fortalece a tíbia, melhora a densidade óssea e aumenta a capacidade dos músculos de absorver as forças de impacto. Os exercícios pliométricos, como o treinamento de salto, aumentam a potência muscular e melhoram a coordenação neuromuscular, o que ajuda a gerenciar melhor as tensões repetitivas da corrida e a reduzir o risco de lesões por uso excessivo, como o MTSS. É importante incluir exercícios pliométricos no momento certo e, mais importante ainda, na dosagem certa, para permitir uma adaptação positiva dos ossos e evitar qualquer agravamento causado por sobrecarga.
A implementação contínua desses exercícios de força após o retorno à corrida e ao treinamento completos é essencial para manter os benefícios obtidos durante a reabilitação. O treinamento contínuo de força ajuda a evitar a recorrência de MTSS, garantindo que os músculos e ossos permaneçam fortes e resistentes ao estresse da corrida. Ele também promove uma melhor mecânica de corrida e resistência, que são vitais para manter o desempenho e evitar lesões futuras. A manutenção de uma rotina regular de treinamento de força é fundamental para a prevenção de lesões a longo prazo e para o desempenho atlético geral.
3. Ajustes biomecânicos
Aumentar a cadência em 5 a 10% (mantendo o mesmo ritmo) pode reduzir significativamente o excesso de passada. Ao encurtar a passada (aumentando a cadência) e garantir que o pé pise mais perto do centro de gravidade do corpo, os corredores podem reduzir as forças excessivas, melhorar a absorção de impacto e distribuir a carga de maneira mais uniforme pelos membros inferiores.
4. Suporte nutricional
O tratamento da nutrição e da ingestão dietética para corrigir a falta de combustível é crucial no gerenciamento da síndrome do estresse tibial medial (MTSS) porque o fornecimento adequado de energia e nutrientes é essencial para a saúde óssea, a força muscular e o reparo dos tecidos. A definição da quantidade e dos alimentos a serem consumidos deve ser feita em colaboração com um nutricionista ou dietista. Eles vão levar em conta fatores como sua idade, sexo, altura e peso, além da sua carga de treino e outras variáveis, para te dar informações sobre quanta energia (calorias) você deve consumir para otimizar seu treino.
Lembre-se, o MTTS nem sempre segue as regras. A intensidade da dor nem sempre é proporcional à gravidade da lesão. Ouça seu corpo, procure orientação profissional e dê prioridade à sua reabilitação.
Para obter ajuda especializada e gerenciamento, sinta-se à vontade para entrar em contato com minha equipe na The Running Room (www.therunningroom.net)
